domingo, 21 de setembro de 2008

...nao é facil nao...







...marcas de sangue por toda parte, o clima de conflito...uma batalha que nao acaba mais...acordo com barulho de tiros...as vezes nem consigo dormir, noites e noites...preocupado, ali...sozinho...correndo o risco de ser atingido fatalmente por uma bala...de um lado soldados do exército, do outro, traficantes da região...a violencia chegou a um ponto supremo...soldados do exercito invadindo aquela comunidade, correndo risco de vida...saem de casa sem saber se vao voltar andando ou sendo carregado em um caixão...logo pela manha, nao me lembro exatamente o dia da semana, acho que foi numa quarta-feira de chuva, sai para comprar comida em um armazém ali perto, avistei soldados subindo em um caminhão, passaram ao meu lado me encarando, como seu eu estivesse feito um mau enorme pra eles, quando estava voltando pra casa,vi um soldado descendo sozinho com uma criança nas costas, sangrando muito...ele disse que queria entrar na minha casa, pois precisava de uma cama e de alguns panos para estancar as feridas da garota, sem perder tempo, corri até o quarto eu peguei alguns lençóis, mas quando voltei ele ja nao estava...nao estava em pé! menos duas vidas ali se foram em menos de um minuto, olhei para o topo do morro e avistei elicopteros da policia, foi ai que percebi que ja nao estava sozinho...
...um mar enorme como aquele, com certeza nao faltaria tubaroes, me agarrei na vela que ja estava parcialmente rasgada, e fechei os olhos, com um medo enorme...até que me vi fora da tempestade, por um minuto achei que viraria carcaça no meio da agua, agua salgada que ja corroía minha garganta e as vias respiratórias de tanto engolir...uns 5 quilos eu tenho certeza que perdi de tanto vagar pela agua em um bote pequeno, mas minha sorte foi tao grande que consegui me segurar firme mesmo com as maos e braços quase congelados, nunca vi vento tao traiçoeiro como aquele, o frio ja atrapalhava a respirar e o ar rarefeito ja nao me ajudava a realizar aquele sonho de chegar ao topo, mas vi que de acordo com o tempo que eu estava ali eu nao iria ficar vivo, porque o gás tomou conta do galpão inteiro, e se qualquer faisca fosse gerada ali, o local seria resumido em "Fogo", ainda bem que eu sempre carrego uma bússola na mochila, nem sei porque, acho que foi porque eu sempre quis ser escoteiro e na minha cidade nao tinha nenhuma floresta e meu pai com pena de mim me deu ela só pra consolar...mas serviu muito! os equipamentos do aviao estavam destruídos, nem procurei a caixa preta porque nunca vi uma caixa preta na vida, entao resolvi andar floresta a dentro...sem que percebesse...eu fui cavando atras do vaso, dia após dia, até virar um túnel para minha fuga, achei melhor fugir sozinho porque nao queria criar movimento, evitando que os guardas descobrissem minha ação...sem perder tempo arrumei minha cama e liguei o computador, entrei no meu msn e abri a pagina no blog, cliquei em "Nova postagem" e comecei a digitar a mente...

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